17 de jan de 2010

Solteiríssima


Foto: divulgação

Círculos

Num piscar de olhos, caminhamos para o sol. 




Sei que constar num texto que se pretende crítica teatral a expressão gostei/não gostei é fatal. Mas dou a essa análise a chance de morrer perigosamente mantendo, assim, a idéia de dizer que GOSTO DE CÍRCULOS. E é neles que Solteiríssima se baseia e, por isso, os anuncia.

Sem que fiquemos no básico dizer sobre a estrutura dramática dessa comédia, que se conta num grande círculo, terminando por onde começou, chamo a atenção de quem me lê para a observação de como a história se conta espacialmente.

Lugar cênico: o espaço na relação ator – público. Renata Peppl, a protagonista, desenha um círculo no chão do palco. Começa no centro ao fundo, vem para à direita na frente, vai para a esquerda da frente, volta para o fundo e, assim, gira. Com ela, através da personagem Suzana, os demais atores: José Alessandro, Juliane Bitencourt e Lucas Krug e os muitos personagens de cada um. Com um cenário composto apenas de elementos cênicos sem nenhuma informação que não seja suas próprias utilidades, os objetos entram e saem dos locais que ocupam o espaço como se fosse uma roda, um relógio. Peppel nunca sai de cena, conduzindo a peça, se comunicando diretamente com o público, sob os refletores.

Espaço cênico: o lugar na relação personagem – narração. Suzana conta as suas desventuras enquanto uma mulher que encontrar um marido. Vemos o namorado da escola, o noivo aventureiro, o homem casado, o blind date, o bonitão gago, o vendedor de loja e o personal trainer. Uma a uma, as histórias vão sendo cenicamente contadas e, em todas elas, há um reinício a partir da anterior. Mini círculos que vivem dentro de um grande círculo. Sob o sol, há mais para encontrar que se possa ser encontrado.

A história escrita pela própria atriz principal encontra a direção de Tiago Melo e esse namoro dura nove anos com muito sucesso. Registra-se a crise da cena do motel em que o ritmo cai vertiginosamente na funcionária que demora para atender o casal que pede um quarto. A graça perde-se e vai embora. O espetáculo só não se torna ruim porque o fim dele está bem próximo felizmente. As boas risadas dadas, a fácil identificação com histórias reais, as boas interpretações dos atores fazem com que repensemos o espetáculo e façamos com ele as pazes após a briga. Tudo termina bem ou, assim, recomeça.

Assim, são os relacionamentos que vamos tendo na vida. Mesmo os duradouros são providos de pequenas voltas em seu próprio eixo. Cabe a nós descobrirmos os eixos dos relacionamentos que mantemos e girar em volta deles.

Como numa volta sem fim.

*

Ficha Técnica:

Autor: Renata Peppl
Elenco: José Alessandro,
Juliane Bitencourt, Lucas Krug, Renata Peppl
Direção: Tiago Melo

1 Comentário:

Renata Peppl disse...

Bacana... achei interessante a crítica e valu por ter ido assistir!

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