25 de set de 2010

Dar carne à memória

Foto: Mariano Czarnobai / PMPA

Orgulho

No show Surdomundo, apresentado no 17º Porto Alegre em Cena, o saxofonista Maurício Pereira perguntou às pessoas presentes, incluindo Marcos Chaves, que me narrou essa história: “Quando a gente canta, alguém presta a atenção na letra?” E, agora, fiquei com vontade de perguntar: quando a gente dança, alguém presta a atenção na dança? Eu, quando não é ballet e quando não é CTG, não presto.

Tanto o ballet clássico quanto as danças folclóricas (gaúchas, alemãs, polacas,...) têm seus códigos pré-definidos, suas cores, suas histórias. As letras das músicas ou as próprias músicas andam juntas com os passos e o espectador assiste à elas como quem assiste a um casamento, para ver se está tudo direitinho: uns pra esquerda, outros pra direita, a noiva de branco, o bouquet,... Quando vou assistir a um espetáculo de dança contemporânea, a dança dos bailarinos ganha a minha atenção pelo microssegundo da potência significativa e nada mais. Depois desse mini espaço de tempo, meus olhos vêem, mas minha mente voa... E, se não voa, tudo fica muito chato e eu durmo. Fica a pergunta: por que estou assistindo a isso? Questão essa que embala os famosos dez minutos de filme do Syd Field, as dez páginas do roteiro, o primeiro capítulo do romance... Estou vendo porque, de uma forma muito interessante, isso está me fazendo pensar naquilo e naquele outro.

Quando comecei a fazer crítica de teatro, eu simplesmente não conseguia falar de um espetáculo de dança sem falar nas memórias que eu tive durante a assistência. Hoje, já entendi que o mais importante para o leitor é saber que, sim, eu tive várias impressões e que valorizo muito as lembranças que ele teve, todas elas, certamente diferentes das minhas. Os movimentos que acontecem sob a luz não tem um alvo certeiro, mas as flechas são enviadas e isso é que importa. Para mim, aqui, importa ainda que sejam enviadas dignamente, considerando a proposta do espetáculo como um todo.

Dar carne à memória tem como proposta celebrar a carreira artística da coreógrafa Eva Schul. Todos os seus quadros são remontagens de coreografias já vistas em espetáculos montados dos anos setenta aos dois mil. A própria Eva assina a direção geral do espetáculo, dividindo o posto com Mônica Dantas, também coreógrafa e professora. O trabalho de Eva é a linha que une todos as cenas e, em cada uma delas, percebemos uma jeito diferente de olhar o tempo, o movimento, o espaço. Comum a todos é, com certeza, a excelência de um trabalho bem cuidado: figurinos e trilha sonora frutos de pesquisa, iluminação à serviço do bailarino e da coreografia. Absolutamente tudo é mostrado dignamente com vistas à engrandecer o tema. A presença de Eva Schul, no nosso Estado, é motivo de orgulho!

O espetáculo pode ser divido em duas partes: na primeira, temos três cenas de três coreografias de décadas diferentes. Na segunda, temos quatro solos e um duo.

Um berro gaúcho (1977), Hall of mirrors (1986) e Catch ou como agarrar um instante (2002) são as três cenas. É interessante olhar para elas como um movimento de interiorização da dança. Na primeira, vemos Eva olhar para as danças e a cultura tradicionalista, o folclore gaucho e trabalhar com o cerne disso tudo. Quais são os gestos fundantes, o comportamento codificado que pode ser utilizado do ponto de vista cênico? Esses são os materiais dessa coreografia que enche o palco, cobre a música e dá ao espectador a visão de um grupo grande de pessoas sem estarem articuladas na superfície, mas na base. Na segunda cena, o interesse cai na relação entre a cultura e o homem, o reflexo, a extinção foucaultiana do sujeito, o modelo social. Movimentos duros, coreografia bem marcada, gestos precisos e calculados. A frieza da dança que representa uma sociedade fria e sectária. A terceira cena traz a dança do homem na sua relação consigo mesmo. O homem e a humanidade que há nos seres, por isso, também homens. É a cena mais longa de todo o espetáculo e a mais substancial. As relações internas são o tema de Eva nessa coreografia que se baseia na exposição do equilíbrio: um aspecto que consiste em algo apoiar outro algo equivalente.

Os solos e o duo acontecem nos intervalos das cenas descritas no parágrafo anterior. Talvez porque neles o olhar do espectador ganhe um foco, são, nesses momentos, que os bailarinos adquiram maior destaque. Com um nível de excelência mais facilmente reconhecido, o trabalho de cada bailarino destaca a obra como um todo como um dos melhores espetáculos de dança do Estado. Luciana Paludo, Cibele Sastre e Mônica Dantas, em seus solos, fazem com que o espectador se sinta orgulhoso de dividir com elas as ruas da cidade. Eduardo Severino, no seu, é não menos honroso. O que foi dito se aplica à dupla Viviane Lencina e Luciano Tavares. Gestos expoentes, movimentos potentes que fazem quem assiste se inspirar e ganhar sua noite.

Sem que importe conferir se tudo está como deveria ser, a dança contemporânea gaúcha faz pensar, refletir, purgar, distanciar-se, aproximar-se. No caso desse espetáculo, também faz aplaudir. Muito.

*
Direção e Concepção: Eva Schul e Mônica Dantas / Assistente de direção: Sofia Schul, Viviane Lencina e Suzi Weber / Coreografia: Eva Schul / Bailarinos: Mônica Dantas, Cibele Sastre, Luciana Paludo, Tatiana Rosa, Eduardo Severino, Luciano Tavares, Viviane Lencina, Maira Meimes, Fernanda Santos, Gabriela Santos, Luiza Moraes, Júlia Ludke, Bibiana Altenbernd, Juliana Rutkowski, Everton Nunez, Juninho Grandi, Alessandro Rivelino, Luciana Hoppe, João Lima, Fernanda Boff, Claudia Dutra, Licia Arosteguy, Paola Vasconcelos / Figurino: Luciane Soares e Eva Schul / Cenografia: Bruno Polidoro / Iluminação: Carmem Salazar / Trilha sonora: Alex Barbosa / Trilha sonora original: Toneco, Carlinhos Hartlieb, Celau Moreira, Antônio Villeroy, Ricardo Severo, Guenter Andréas / Produção: Jerri Dias / Duração: 2h (10min de intervalo) / Classificação: 12 anos


17 de set de 2010

My house - nunca um lar foi tão agitado

Foto: divulgação

Falta mais

Se você esquece de todo o resto e olha apenas para o espetáculo My house em si e sua estrutura, você encontra aspectos bem interessantes. Uma corporalidade que age em paralelo às estruturas de uma casa, de uma urbanidade, de um filete de arte popular que, burramente, tentamos fazer de conta que não existe quando olhamos para nós mesmos e nos identificamos mais com a visão idealizada que temos sobre nós do que com o que temos. A massa que pega ônibus, que usa roupas compradas à preços populares,que se diverte com pastéis e hotdogs, com vai aos grandes shows promovidos pela prefeitura: esse é o tema estético de Marco Rodrigues ao construir um espetáculo de street dance. Vemos bailarinos muito jovens estampando no rosto o prazer retórico de estar em cena, de mostrar-se, de dizer sobre si. O palco é limpo e o cenário é potente, isto é, sua presença produz a possibilidade de muitas imagens a serem construídas. De todo o grupo, Jean Guerra consegue a façanha de se destacar num todo quase homogêneo. Seus movimentos são precisos, hábeis, fortes. O grupo é afinado e, novamente, em si, o espetáculo é vibrante.

Mas um espetáculo não é só um espetáculo, especialmente, quando está envolvido na produção de um festival do porte do 17º Porto Alegre em Cena, ou quando está entre as produções de dança mais importantes da capital gaúcha. Nesse caso, o que era muito interessante passa a ser apenas bom e não muito além disso.

Em 1957, Jerome Robbins dirigiu e coreografou, na Broadway, um musical com texto de Arthur Laurents, música de Leonard Bernstein e letras do então novato Stephen Sondheim, chamado West Side Story, que, no Brasil, veio a ter o estranho nome de Amor, sublime amor. Numa versão de Romeu e Julieta de Shakespeare, dois grupos de rua duelam em Nova Iorque: os Jets, grupo de garotos brancos descendentes de europeus, em especial, os irlandeses que povoaram a ilha; e os Sharks, grupo de porto-riquenhos, imigrantes latinos, não menos numerosos. Um garoto branco e de olhos verdes, Tony, se apaixona por uma garota imigrante de pele amorenada, Maria. Em todo o musical, que virou filme em 1961, dirigido por Bob Wise (The sound of music), está permeada a briga de rua, a dança na rua, o street dance. Lá, a raiva, as diferenças sócio-culturais, a belicosidade estão muito presentes. No entanto, em West Side Story, vemos grandes momentos de dança que, nem em proposta, aparecem no espetáculo de Marco Rodrigues, sessenta anos depois.

My house distribui, ao longo do seu desenrolar, a repetição constante de um grupo de não mais que dez movimentos: solos, duos, figurinos diferentes, luz nova, mas sempre o mesmo movimento, cada vez mais cansativo se fecharmos os olhos para o carisma do grupo, sobre o que já tratei. Falta, em Rodrigues, o fôlego, a pesquisa e a criatividade para figurar em entre os grandes nomes da dança gaúcha. A plateia parente e desavisada não pode ser o parâmetro para um coreógrafo que tem atrás de si quase décadas de pesquisa em dança de rua e fiz questão de citar um momento de um teatro disponível em qualquer locadora, acessível em todos os lugares, ao invés de trazer presente artigos, livros, vídeos e relatos mais raros que um bom pesquisador deve percorrer.

Nesse sentido, o grupo de Marco Rodrigues é bem vindo e recebe os parabéns pedagógicos por estar começando com grandes promessas. Sai com o aviso de que Porto Alegre espera mais. E quer ter.

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Ficha técnica:
Direção: Marco Rodrigues
Diretor técnico: André Birk

Elenco: Adriano Oliveira, Bianca Holsback, Jean Guerra, Leonardo Rosa, Letícia Holsback, Marcelle Schwonke, Marco Rodrigues, Natália Porto, Paula Azevedo, Tainã Correa e Thiago Fernandes

Figurino: Marco Rodrigues
Iluminação: Karra
Trilha sonora: Marco Rodrigues
Produção: Marco Rodrigues e Cristiane Ruiz
Duração: 55min
Classificação: livre

8 de set de 2010

Prazer


Não acontece

Prazer” consiste na mal fadada primeira direção de Karen Radde. Em cena, vemos um Homem (Miguel Sisto) e uma Mulher (Juliana Thomaz) discorrer sobre o Amor, algo como se fosse um terceiro personagem passível de entrar a qualquer momento que ambos personagens conhecem, mas de jeitos diferentes. Cada um descreve esse “ser” para o outro, cobrando certezas, chamando a atenção sem a lapidação necessária ao teatro quando constrói-se a partir de um texto não-dramático. Teatro é sempre algo que não é outra coisa que não teatro. Assim, ao usá-lo, o encenador deve saber (bem) no que consiste esse teatro, que não é um terceiro (ou quarto personagem) mas o corpo (forma e conteúdo) de todos os personagens em cena e fora dela. Num clima que parece Eu sei que vou te amar,em que Jabor coloca Fernanda Torres e Thales Pan Chacon, sem, de perto, conseguir no teatro o que o cineasta conseguiu no cinema, Radde dá a ver uma história em que um pintor mostra-se apaixonado por alguém cujo nome nem mesmo sabe. No cenário, estão molduras e quadros, além de uma cama. Ela veste um vestido de veludo. Ele calças rasgadas. Ela é a mulher fatal e ele é um passional artista bem como tantos, além de Cristian, o protagonista do Moulin Rouge. Há cigarros, há bebidas, há músicas apaixonáveis, há um microfone e poesia. O arsenal de Radde é um requentado e embolorado prato de sopa rala nada convidativo a quem o aconchegante Teatro do Centro Cultural Edson Garcia e a dupla de atores são estranhos, o que não é o meu caso pessoal, mas é sempre em quem penso.

O espectador pensa no amor e tem a oportunidade de avaliar seus relacionamentos a partir da proposta do texto. Amor é um tema sempre válido de ser tratado e que inevitavelmente se sobrepõe à sua forma, independente qual for ela. O português corretíssimo e monocorde de Sisto, o peso de Thomaz que, em vestidos apertados e sapatos altíssimos, pouco consegue se movimentar no barulhento palco, não atrapalham de todo as reflexões de quem lhes assiste e vê a si. Juliana Thomaz, principalmente nos momentos sobre a cama, quando está mais próxima de Miguel Sisto, apresenta possibilidades de jogo que não encontram resposta no colega de palco. São sempre duas pessoas em cena e, em nenhum momento, uma cena.

Talvez os dois momentos em que “Prazer” se comunique com o espectador, uma vez que o espetáculo se fecha em si ao apenas apresentar “temas para reflexão” sem prender a atenção devido a tantos problemas, são os discretos momentos de dança. É quando nos arrumamos na cadeira e é possível pensar: “Algo novo virá!” O momento é curto e medroso e se acaba tão logo começa. O marasmo volta, os velhos significados retornam mais uma vez tratados como já outrora tantas e pobremente o foram ao longo do tempo. O prazer não acontece. E, assim, também não o “Prazer”.

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Ficha técnica:

Direção: Karen Radde
Texto: Julio Wargas Ribeiro
Elenco:
Juliana Thomaz
Miguel Sisto

Composição musical: Alvaro RosaCosta
Figurino: Renato Santa Catharina
Cenografia: Cláudio Benevenga
Iluminação: José Vicente Araújo Goulart
Operação de Som: Fabio Cunha
Divulgação e Produção: Juliana Thomaz

3 de set de 2010

As artimanhas de Arlecchino


Foto: Caroline Bococchi

As artimanhas da Cia. Il Trucco

Perde tempo em Porto Alegre quem ainda não viu Giuli Lacorte em cena. Dono de movimentos absolutamente precisos, o jovem ator/bailarino é hábil em demonstrar uma consciência corporal que o deixa à vontade com os próprios contornos expressivos, protagonizando o espetáculo “As artimanhas de Arlecchino” e levando a produção aos seus melhores momentos. Com uma direção falhadamente coletiva, o Grupo Il Trucco leva ao cabo uma adaptação de “Alerquim, servidor de dois amos”, de Carlo Goldoni, cheia de boas intenções e algumas realizações bastante positivas.

O grupo é formado por um elenco de jovens atores, a maioria deles, incluindo Lacorte e Sofia Ferreira, os mais experientes em cena, em seus primeiros trabalhos profissionais. A montagem surge do trabalho de conclusão de curso de Filippi Mazutti e de Nátali Karro e fez a última temporada num projeto da Coordenação de Artes Cênicas da Cidade de Porto Alegre chamado Novas Caras em que a entrada é franca, ou seja, sem lucro financeiro para o grupo. Daí que é uma pena que o texto de Goldoni não seja apresentado na íntegra e, ao espectador interessado, não fica claro porque, afinal, não foi. A opção dos cortes do grupo, no entanto, não deixa a desejar, mantendo o texto em sua essência. Goldoni, que viveu durante quase todo o século XVIII, coloca no papel uma história popular da Commedia Dell’Arte, um gênero originariamente italiano, e que fizera muito sucesso nos dois séculos anteriores a ele. Ao longo do século, o que acontece é que o improviso “cai de moda” com a ascensão do racionalismo, embora o gênero tenha feito o contraste com o duro classicismo concomitante. Assim, não há Commedia Dell’Arte sem improviso e não há improviso sem atores disponíveis, hábeis e talentosos. Não há cenário e o roteiro, como se sabe, era traçado em poucas linhas: o enredo era mais importante que as falas, esse desenvolvido por atores interpretando personagens extremamente codificados. O Arlequim, o Dottore, o Pantalone, a Mocinha e outros eram construções que existiam ( e existem) independente da história, tamanha era (e é) a força de sua construção. Com toques animalescos, cada personagem tem movimentos muito precisos, uma máscara específica e contornos historicamente registrados. Em cena, o que se vê é todo esse repertório teoricamente construído, mas pouco corporal até mesmo, em alguns momentos, em Lacorte. Filippi Mazutti é um exemplo disso quando, no espectador, fica a impressão de que seus movimentos chamam mais a atenção enquanto proposta do que enquanto movimento mesmo. Em várias cenas, mas não em todas felizmente, sente-se o esforço que o ator faz para executar uma caminhada, por exemplo, essa cuja naturalidade deveria estar mais claramente expressa. O ritmo, que só se ganha em quantidade de apresentações, ainda falta ao grupo que, pela facilidade de sua boa produção, seria bem vindo em todos os cantos da cidade e só faria trazer benefícios às suas próprias formações e à capital gaúcha. A peça cai em vários momentos, fazendo com que o contorno não seja a essencial linha una e crescente, mas um sobe-desce prejudicial, marca de uma produção sem direção.

À Sofia Ferreira sobra ironia e falta superficialidade. Vê-se pouco da “Mocinha” que, somente em si, vale como discussão. Toda forma de aprofundar esses personagens é válida desde que o grupo esteja consciente de que isso pode retirar da Commedia Dell’Arte o seu essencial. Para ser mais claro, podemos imaginar a literatura de cordel em versos decassílabos ou com palavras simbolistas? Certamente, esses recursos literários deixariam os versos populares pesados e sem gosto, eles cuja importância e força se dão pela sua leveza e sua capacidade deboche como todo e não como parte. A voz fina, os gestos redondos e os olhares apaixonados faltam em Ferreira, códigos que foram base para o nascimento do melodrama francês.

O grande contraste da produção está na sua parte plástica. De um lado, a excelência de um figurino que, em tudo, contribui positivamente para o espetáculo. É colorido, forte, marcante como se supõe para uma produção feita para acontecer em qualquer esquina, recuperando as bases do tradicional italiano. De outro, a incoerência de uma trilha sonora que vai desde Berceuse ao musical norte-americano, que protagoniza uma história bem melhor contada apenas pelos atores e suas relações entre si.

A cidade deve se orgulhar de projetos como essas intenções, apostando nas realizações positivas como algumas que a Cia. Il Trucco traz e o concretiza através de um projeto como o Novas Caras.

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Ficha técnica:
Direção: Coletiva
Roteiro: Filippi Mazutti e Giuli Lacorte
Autor: Livremente inspirado na obra de Carlo Goldoni "Arlequim servidor de dois patrões"
Elenco: Débora Geremia, Fillippi Mazutti, Giuli Lacorte, Nátali Karro, Frederico Vasquez e Sofia Ferreira

Iluminação: Giuli Lacorte
Operação de luz: Lucca Simas
Figurino: Antônio Rabadan e Titi Lopes

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