11 de fev de 2009

Como agarrar um marido antes dos quarenta



E não era mesmo para ser assim?

Desde quando você ouve “Pode mandar beijinho?” no aviso para desligar os celulares que antecede o início da peça, você já sabe que verá algo leve e que tenderá a ser engraçado. O cartaz com a foto das três atrizes e o cenário já deixam claro que se trata de uma produção bem cuidada, que valoriza o teatro e respeita o seu público dando a ele o que há de melhor no possível. A peça começa e já sabemos exatamente como será o fim. Confortavelmente, nos ajeitamos na poltrona para não pensar em mais nada, para sorrir, rir e gargalhar. Tranqüilidade. Segurança. Conforto. Figurinos, luz, cenário e sonoplastia quase não mudam e o que está visto é digno de crédito. As três atrizes estão naturais, à vontade, espontâneas em cena, aproveitando as nossas risadas no exato momento em que, eficientemente, as despertam. As piadas não são forçadas. Apenas se apresentam como piadas. Tão bem contadas que são, nós rimos. E não era mesmo pra rir?

Como agarrar um marido antes dos quarenta” é um mar onde você pode levar as crianças e dormir na areia. Não oferece nenhuma mudança repentina, nenhuma grande surpresa, nada que te deixe impressionado e, felizmente, nada que te decepcione. É uma “boa e velha” comédia de costumes estruturada a partir de um texto de Cláudio Benevenga, que também assina a direção. Tem sal, tem ondinhas, tem areias brancas, sol e muita água. De quebra, uma caipirinha, corpos bonitos e familiares: é simples, é bom e é bem feito. E não era mesmo para ser assim?

Marlise Damine protagoniza, agoniza e têm a sua redenção tal qual Catarina de Petrucchio. Denizeli Cardoso serve de apoio à protagonista como a Ama a sua Julieta. É um personagem sem conflito com uma função bem estabelecida, cuja interpretação é muito bem conduzida pela atriz cônscia de sua missão de coadjuvante. Suzi Martinez é a responsável número 1 pela comédia, o Píramo e, ao mesmo tempo, o Puck de Atenas. Juntas, o elenco afinado de Benevenga atravessam uma hora e meia de espetáculo para chegar ao ponto exato previsto desde o início. Era mesmo para ser assim.

Há horas em que o sol desaparece e o riso some com o baixar do ritmo. A imagem horrenda do trânsito na free way surge na nossa cabeça. “Lúcia”, a encalhada, permanece com os mesmos problemas durante todo o tempo da peça sem alterações. Ela muda de repente, sem que isso tenha sido preparado por um crescente de pequenos eventos ou pela existência dos sydfieldianos pontos de mudança. Essa demora em haver modificações cansa o espectador. Por outro lado, aumenta a responsabilidade das piadas e das ações em chamar nossa atenção. Não era para ser assim, mas sendo, não traz nada assim tão grave que faça com que a gente não se queime mesmo no mormaço.

A dissertação está nas lições finais o que aumenta o mérito desse bom espetáculo. Olhando para o lado, quantas e quantas produções gaúchas fazem disso o espetáculo inteiro? É. Não era mesmo para ser assim!

1 Comentário:

Helena Mello disse...

Podemos aprender técnicas para uma boa redação, estudarmos a fundo a gramática para não cometer erros e sermos incansáveis na busca de informações culturais, mas, criatividade não dá para aprender, dá para despertar e desenvolver e é isso que sinto em teus textos que continuam me surpreendendo. Não sei se é bom ou ruim, mas, para mim, que sou da comunicação, às vezes, pouco me importa sobre o que estás falando. Fico me divertindo com o formato! Ainda bem (para mim como leitora)que tivesses a ousadia de criar este teu espaço. Não escrevo isso porque sou tua amiga. Sou tu amiga porque tu escreves isso!

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