16 de jan de 2009

Como enlouquecer sua alma gêmea


A gente gosta dela. Ela tenta, mas não nos enlouquece...

Ela é bonita, bem arrumada, bem cuidada, com tudo no lugar com o maior capricho. É interessante... Nos faz rir, nos faz pensar sobre a nossa vida e nossos relacionamentos... É também honesta: a gente sente de cara qual é a proposta e ela se mantém fiel a isso até o fim. As roupas que ela usa são legais, os móveis mostram que é alguém que tem profundidade, a luz sob a qual ela vive é bem marcada. O jeito dela também: tanto Pedro Delgado, como Alda Silveira, a representam muito bem.

Às vezes, temos dúvida, às vezes, certeza de que estamos vendo uma dissertação sobre o relacionamento homem e mulher. Eu não sei quanto à platéia, que encheu o SESC, mas eu gosto muito mais de narrativa do que de dissertação.

Chega o verão e ele vai pedir um tempo pra ela, como fez nos quatro ou três anos anteriores. A peça fica nas horas que antecedem esse “pedido de tempo”. Está decidido: ele vai sim fazer isso. E, desde o primeiro minuto, sabemos que ela não vai gostar disso. Ou seja, do início até o fim, a diversão fica no trato deste gostar ou não gostar. E há diversão: grande na primeira meia hora, menor no resto do espetáculo. No fim, vi gente piscando na platéia. Juro!

Mesmo que tudo seja bom, sem história que sustente, é meio difícil de segurar a atenção. Fazer piadas de Grêmio x Inter, colocar o público no meio da relação, pedir que cantemos “Parabéns a você” nada mais é do que tentativas de nos acordar do marasmo. O que é uma pena, considerando o fato de que se trata de uma comédia de costumes muito bem produzida.

Vamos para o verão viver a vida. Valquíria ficará em Porto Alegre. A gente gosta dela: talvez, um dia, iremos casar com ela. Mas somos jovens e... Por melhor que ela seja, por mais que seja nossa alma gêmea, ela não nos enlouquece.

4 Comentários:

Marcelo Adams disse...

Assisti a essa peça há alguns anos, quando estreou, na Cia. de Arte. Fui por convite do Pedro, um dos responsáveis por eu ter começado a fazer teatro. Em 1993, frequentei uma oficina que ele ministrava na Academia Stylo. Daí, saiu o primeiro convite para uma temporada de espetáculo, no mesmo ano. Apesar dos oportunismos dessas peças "de casal" ou "de sexo", como eu chamo, o Pedro tem uma coloquialidade interessante nos diálogos, que poderia ser empregada em textos com maior relevância. Mas há espaço para todos.

Rodrigo Monteiro disse...

Eu fiz a mesma oficina do Pedro em 95!!!!

Marcelo Adams disse...

Olha só Rodrigo! Em algum lugar se começa, não é?

Anônimo disse...

Pois Pedro Delgado e um otimo escritor e ator.

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