11 de out de 2010

O pigmalião


A florista e a dama 

Há a lenda de Pigmalião. Na Grécia antiga, havia um escultor muito conhecido chamado Pigmalião que, decepcionado com as mulheres que havia conhecido, resolveu nunca se casar. Um dia, ao encontrar um lindo pedaço de mármore, esculpiu para si uma estátua de uma mulher a que chamou de Galetea, ou “amor adormecido”. Deu a ela roupas, jóias e alegria, trazendo-lhe pássaros para cantar em sua volta, água para lavar-se e perfumes. Na festa de Afrodite, em que todos celebravam o amor e faziam pedidos e agradecimentos, Pigmalião pediu a deusa uma esposa tal qual sua Galetea. Curiosa pela devoção do artista, a própria deusa foi a casa de Pigmalião conhecer Galetea e se sentiu lisongeada ao ver que a estátua se parecia em tudo com ela. Deu-lhe, então, vida. Pigmalião e Galetea se casaram e tiveram filhos. Por toda a vida, agradeceram fielmente à deusa Afrodite.

Em 1871, William Schwenck Gilbert (1836-1911), um dramaturgo inglês bastante popular, compôs a opereta “Pygmalion and Galatea” baseado nessa lenda, tornando a história mais uma entre seus grandes sucessos que percorreu os palcos de todo mundo.

Bernard Shaw (1856-1950), um escritor irlandês, já era um expoente da literatura anglo-saxã, quando, na primavera de 1912, escreveu “O pigmalião”, uma peça em cinco atos, atualizando a lenda, a opereta e também todas as versões teatrais, literárias e cinematográficas que já tinham sido produzidas até então. Nesta versão, Shaw (Nobel de Literatura em 1925) utiliza a comédia de costumes para criar uma situação que, sendo cômica, critica a burguesia pós-vitoriana ainda longe de estar adaptada às verdades impostas pela I Guerra Mundial.

Beatrice Stella Turner (1865-1940) era uma atriz de grande talento na Londres daqueles tempos. No entanto, por não sustentar um sobrenome reconhecido e não ter posses, ela não era bem-vinda na sociedade que, dispensando as comédias burlescas, os vaudevilles, e os gêneros à la Folies Bergères, supervalorizava às operetas. Talvez apaixonado pela atriz, Shaw escreveu em sua homenagem o papel de Eliza Doolittle, uma florista do Soho que trabalhava na sarjeta entre a burguesia que freqüentava os grandes teatros londrinos.

Henry Higgins é um professor de fonética conhecido em todo mundo pela sua habilidade de reconhecer os mais de cem tipos diferentes de sons na fala humana e tê-los catalogado. Numa noite, encontra-se com Colonel (e não coronel) Pickering, também um grande filólogo. Esse encontro se dá numa pequena confusão protagonizada por Eliza Doolittle, assustada por ter suas palavras anotadas pelo, então, para ela, desconhecido, Mr. Higgins. Os dois professores fazem uma aposta: em seis meses, a pobre Eliza deverá passar-se como uma nobre europeia num baile na embaixada britânica. Se for descoberta sua verdadeira origem humilde, Higgins pagará todas as despesas do semestre. Se não, Pickering vencerá. A partir de então, Eliza passa a morar na casa de Mr. Higgins e ter aulas de inglês, além de aprender a etiqueta vigente. Ao final, Higgins ganha a aposta.

Sucesso pleno, a versão de Shaw foi adaptada para o cinema dando a ele um Oscar em 1939. A versão musical teria, no entanto, que esperar a morte do grande escritor.

Em 1956, WestEnd produziu “My fair lady”. Assinado por Alan Jay Lerner e Frederick Lowoe, uma dupla que já havia feito algum sucesso, o musical havia sido dispensado pelos grandes Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II (“Oklahoma!”, “South Pacif”, “The King and I”, “The sound of music”, “Carousel”, “Peter Pam”,...) porque não havia, na versão de Shaw, uma história de amor. Estrelado pelo experiente Rex Harrison e pela novata Julie Andrews, o musical, que se tornou ainda mais conhecido na versão cinematográfica de 1964 (dirigido por George Cukor e protagonizado por Audrey Hepburn no lugar de Julie Andrews), trouxe muitos aspetos positivos à lenda, à opereta e à versão teatral e cinematográfica de Shaw. Infelizmente, trouxe também dois aspetos negativos:

1) A relação de amor entre Eliza e Higgins, embora apenas imanente, pasteurizou a crítica social de Shaw, que deixava evidente a origem humilde e, ao mesmo tempo, a sensibilidade de Eliza em oposição ao berço nobre e, ao mesmo tempo, às atitudes grosseiras de Higgins. Nesse embate, estava clara a crítica à hipocrisia vigente que valorizava a forma, mas dispensava o conteúdo.

2) A reformulação da curva dramática que, em Shaw, era ascendente, uma vez que o ápice é o diálogo de Higgins e de Eliza na casa da mãe do professor no final da peça. Nessa cena, estão expostas as diferenças entre os dois personagens e, imprescindível, a sua igualdade de forças. A versão musical, com o esplendor de seus cenários e figurinos, faz com que o ápice se torne o baile da embaixada, o que deixa todo o resto arrastado e sem ritmo.

Sobre o final, antes de partirmos para a análise da montagem da Cia Gato & Sapato, vale lembrar a polêmica de Shaw. Em 1912, o final originariamente escrito se dava quando Eliza partia da casa da Sra. Higgins, sorrindo ao dizer que o professor teria que se acostumar a viver sem ela uma vez que iria se casar com o jovem rico Fred Eynsford-Hill, que a cortejava. O pano descia sobre a risada debochada de Henry Higgins. Ao redor do mundo, para o pavor do dramaturgo inglês, seu final foi modificado. Na Inglaterra, as produções terminavam com Higgins deixando na janela de Eliza um bouquet de flores. Nos anos 20, o texto foi reeditado e o final modificado. Com a saída de Eliza, Higgins voltava a sua casa e lá encontrava a estátua de Galatea, parte visível do cenário, viva. Para Shaw, com isso, era necessário que não houvesse perdedor ou ganhador, mas que Higgins e Eliza fossem iguais em suas diferenças. Na versão musical, a história termina com um monólogo de Higgins confessando estar ligado à Eliza sucedido por uma rápida cena do retorno da antiga aluna.

Leandro Ribeiro, ao dirigir o texto de Shaw, apaga os aspectos negativos do musical e, apesar de também ter modificado o fim da peça, terminando com Higgins abraçado a um quadro de Galetea pintado por Eliza, faz uma ode a Bernard Shaw. Numa produção bastante modesta que dura duas horas, não há como não pensar em como é interessante sentir o tempo passar rápido quando a montagem tem qualidade. Esse é exatamente o caso.

Ribeiro usa, para seu trabalho, o que tem: atores e texto. De cada lado, a qualidade existe. Uma vez que já tratamos o suficiente do texto, passamos ao elenco.

De um modo geral, o grupo ultrapassa sua inexperiência e consegue bons resultados. Aqui e ali, atores precisam de mais ritmo, mais naturalidade para que a dureza de suas construções não tire a atenção do público do que está sendo dito ou do que está acontecendo nas relações narrativas. Percebe-se que, capciosamente, Ribeiro dirigiu as construções de forma confortável ao elenco que tem. Daí que vemos Ketti Cardoso (a governanta de Higgins e a mãe de Freddy) falar sempre muito devagar e Michele Csordas (Sra. Higgins) manter-se praticamente sem expressão, opções estéticas essas convenientes às personagens da narrativa. O mesmo olhar estético por sobre o próprio elenco, mas cujo resultado se mostra bastante positivo, vemos na direção de Cícero Neves (o pai de Eliza) e de Rodrigo Santanna (Freddy), aproveitando os movimentos de um e a jovialidade de outro. Em todo o caso, até aqui, é do diretor os méritos do elenco.

Não há, sobretudo, como falar de “Pigmalião”, sem falar dos protagonistas: Pickering, Higgins e Eliza. Na produção da Cia. Gato & Sapato, vemos atores bastante jovens em papéis complexos vencendo com gabor os seus desafios. Paulo Roberto Farias confere a Pickering a amorosidade, a gentileza, a sensibilidade que, em seu personagem, é cerne. Douglas Carvalho constrói um Higgins em que a grossura e a afetação convivem de forma excelente. Sobretudo e além de todos, Fernanda Majorczyk é a estrela da produção. Natural, honesta, e talentosa, a atriz tem as pausas necessárias, dá as cores predicantes e a vivacidade que jamais pode faltar à Eliza Doolittle ou Eliza Garapa. São surpresas como essa que fazem com que o teatro universitário tenha o seu lugar (ou deva ter) na mídia, nas agendas, nos palcos da capital gaúcha.

Ainda sobre as interpretações, é importantíssimo, no entanto, que uma avaliação não termine sem acrescentar um aspecto negativo presente em todas as construções, em umas mais, em outras menos: em “O pigmalião”, o modo como o texto é dito é aspecto de primeiríssima importância. Assim, a direção merece bons puxões de orelha (após tantos elogios) por não ter suficientemente repassado a diferença entre bem dizer e dizer bem aquilo que é preciso que seja dito. Quanto ao primeiro, me refiro à fonética. Muitas vezes, na história, não é de gramática de que se fala, mas de fonética. Tá vira está, Que vira qui, Não é vira NE e essas trocas, às vezes, são positivas e, às vezes, são negativas, dependendo do lugar e do personagem em que elas se encontram. Quanto ao segundo, me refiro à gramática. Plurais e regências não devem ter seus conhecimentos desperdiçados para que, quando erradas, sejam propositais e, quando certas, também o sejam. Higgins, a mãe o filho, não podem errar gramática nem fonética. Todos os personagens tem problemas nesses aspectos que, corrigidos, elevariam sua produção nos valores que, desde já, apresentam.

Para encerrar, destaco que a montagem de “O pigmalião” em tudo se relaciona com o lugar onde ela se apresenta: a Sala Alziro Azevedo do Departamento de Arte Dramática da UFRGS. Falta à produção da Cia Gato & Sapato dinheiro: investimento para trilha sonora, fonoaudiólogo para os atores, iluminação e cenário que a montagem desse texto exige, boa trilha sonora e demais aspectos da produção. É urgente uma reformulação dos figurinos que substituam os atuais, bastante aquém do mínimo esperado. Ao ir assistir a esse espetáculo, o que o público encontra são: bons atores fazendo sem apoio nenhum fazendo um bom trabalho. E tudo acontecendo numa sala pública que, caindo vergonhosamente aos pedaços, provê um ótimo espetáculo realizado pelos alunos da Universidade a partir de seus professores. Imediatamente, Bernard Shaw veria na produção e na sala de teatro, uma grande dama por baixo da pele de uma florista ignorante.

*

Ficha Técnica:

Texto: Bernard Shaw
Direção: Leandro Ribeiro

Elenco:
Fernanda Majorczyk - Eliza Garapa
Douglas Carvalho - Henrique Higgins
Paulo Roberto Farias - Coronel Pickering
Cícero Neves - Alfredo Garapa
Michele Csordas - Senhora Higgins
Ketti Cardozo - Dona Cândida/Senhora Eynsford-Hill
Taylor Mendonça - Engraxate/Padre Avelino/Nepomuck
Nani Goulart - Embaixatriz Sueca
Rodrigo Santanna - Fred Eynsford-Hill

Trilha Sonora Original: Julian Eilert e Caoan Goulart
Orientação: Lígia Motta
Realização: Cia. de Teatro Gato&Sapato

6 Comentários:

Fernanda disse...

Grata pela crítica. É muito bom ter esse retorno de reconhecimento do trabalho. Quando escrevi esse projeto para ser meu estágio I, não tive apoio dos professores. Fui até chamada na Comgrad e me disseram que nenhum professor queria orientar meu trabalho. "Levei um balde de água fria", e fiquei muito chateada, é claro. Disseram-me para fazer um monólogo de Eliza, ou então resumir a história, o projeto; em outras palavras, disseram que seria muito difícil de realizá-lo. Eu sabia que seria um desafio, pois além de ser uma peça reconhecida mundialmente, precisaria reunir um elenco grande. Mas estava disposta a correr o risco.
Se não fosse o diretor ter acreditado nesse trabalho, não teríamos chegado a lugar algum. Felizmente, conseguimos reunir um elenco de pessoas dedicadas. Também agradeço a minha orientadora, excelente fonoaudióloga, embora não tenha participado muito dos ensaios devido a seus compromissos.
Gostaria de ter apresentado na sala Qorpo Santo, mas como está em reforma, nos sobrou somente a Alziro. Quanto ao cenário e aos figurinos, realmente, não tínhamos dinheiro nenhum, usamos o que conseguimos emprestado, o que tinha pelo DAD. Sei que não era o que o texto merecia, porém era o que tínhamos no momento.
Agradeço mais uma vez pela sua iniciativa e, em especial, por você ter acertado ao escrever meu sobrenome! hehe
Abraço

Anônimo disse...

Vi a peça numa das apresentações e sei da precariedade de recursos que os alunos do DAD têm ao seu alcance. Imagino também que o grupo deva ter tirado de seu próprio bolso pra bancar toda a produção. Acho louvável o engajamento dos alunos em apresentarem seus trabalhos, apesar de tantos obstáculos. Entretanto, apesar disso, não podemos fechar os olhos quanto à qualidade deste trabalho, ainda mais se tratando de um trabalho feito num curso de Teatro de uma Universidade Federal. Falo isso porque a minha impressão é que não parece trabalho de uma faculdade de teatro (de um estágio!), mas sim de um grupo recém iniciado na arte teatral ou de um espetáculo de conclusão de curso para iniciantes. É visível que boa parte do elenco é formada por novatos, mas mesmo aqueles que já se formaram ou estão se formando no departamento mostraram um trabalho de atuação/direção muito fraco. A começar pela adaptação do texto para a realidade brasileira; pela fraquíssima direção do Leandro Ribeiro; pela atuação do Douglas Carvalho, ator já formado no DAD, que apresentou um trabalho superficial demais, caricato, "escolar"; chegando na Fernanda que, apesar de sua sinceridade em cena, não apresenta grande aprofundamento em sua personagem. Saí com a sensação que tudo foi superficial demais, amador (no sentido ruim da palavra!), mas sinceramente desejo que, se continuaram com o trabalho, foquem na atuação do elenco e revejam a concepção do espetáculo. Abraço.

Diego Polese disse...

Olá.
Meu nome é Diego Polese, assiti a peça 2 vezes e gostei muito.
Claro que, como a postagem anônima lá embaixo informou, é notável que faltam recursos para se obter um resultado ainda melhor na área Teatral...porém, os artistas que estavam envolvidos com o trabalho se mostraram muito bons, formando definitivamente um elenco dedicado.
Não sou formado em nenhuma arte teatral, a não ser a deste grande palco que a vida é...mas acredito que a performance e resultado de uma peça não se dá exclusivamente pela ficha técnica ou diplomas e cetrificados que estão pindurados nas salas dos integrantes do elenco....mas sim....pelo público...
Bastaria perguntar às pessoas que assistiram à peça, o que acharam da mesma assim que estiverem saindo do teatro....
Tenho visto que muitas peças que entram em cartaz, são promíscuas...com muitas cenas de gente pelada...sim....não se trata de "nudez"...e sim de "gente pelada mesmo"....peças sem conteúdo....muito diferentes de "Pigmalião", onde existe um enredo bem definido...uma história envolvente com um toque de romance oculto pela comédia que cativa o público...

Na boa...curtí a peça...e acredito que muitos gostaram....
O melhor de tudo é que sempre se pode tornar algo bom...em algo muito melhor...

Abraço...

Anônimo disse...

Me surpreendeu a crítica do Rodrigo Monteiro sobre essa peça. Falo isso porque, sempre quando acessava o blog, me parecia que o Rodrigo nunca teve o costume de levar em consideração se o grupo era novo, se tinha anos de estrada, se era de alguém renomado do teatro, enfim, porque o que importava era pura e simplesmente o resultado final. Era por essas coisas que gostava tanto de visitar o blog, pois não se acanhava de criticar, mesmo que negativamente, uma peça de um de um Alabarse ou de um Luis Paulo Vasconcellos da vida, ou de um estudante do DAD. Todas as peças eram cobradas da mesma forma, e isso que era o bacana. Quando li a crítica, fiquei com a sensação de que o crítico foi conivente demais com a situação. Assisti ao Pigmalião numa das últimas apresentações. Como ex-aluno do DAD me senti envergonhado pelo que vi. A interpretação dos atores era tão primária, fato que não pode acontecer em se tratanto de um trabalho de uma faculdade de teatro. Tiveram mtos trabalhos do DAd de que não gostei, mas que saía com a sensação de "ah, pelo menos se arriscaram numa proposta" ou "se vê que teve uma pesquisa", ou algo do tipo. Neste trabalho não tive nenhuma sensação dessas. Mas também não posso culpar somente aos estudantes, pois acho que o problema, antes de qualquer coisa, seja do corpo docente do Departamento, que não é exigente o bastante para com seus alunos de graduação.

Rodrigo Monteiro disse...

Olá!

Antes de tudo, preciso dizer que esses comentários acima são uma grata prova de que o crítico, seja ele quem for, não é dono da verdade. E que visões diferentes, ainda mais quando bem expressas como é o caso, só enriquecem a atividade teatral de um lugar.

Antes de responder,preciso perguntar se não já não é hora de acabarmos com as postagens anônimas e se, finalmente, nos mostrarmos. O que vocês acham, heim?

Por fim, dizer que,sim, continuo pensando da mesma forma e me importando muito pouco se a pessoa tem vinte anos de carreira ou duas semanas. Sempre procuro me colocar onde, de fato, estou, isto é, na plateia, onde uma sólida experiência significa muito pouco para quem vê a peça, assim como o processo de construção do espetáculo.

No caso de Pigmalião, minha avaliação está aí. Talvez, se tivesse visto em outro momento, ela seria outra. Mas, como sempre, fui sincero com minhas próprias conclusões. Como um ser humano qualquer, depois dos comentários,fiquei pensando que pode ter me levado a ter uma impressão positiva do trabalho além do visto naquele dia. Motivações que, em outros momentos, poderiam ter me dado uma impressão negativa... O fato é que a discussão está cada vez mais sólida! E reafirmo meu descompromisso com tudo aquilo que é anterior ao espetáculo, ocupando somente dele.

Abração!! E avante.

Vegetarte disse...

Prezados leitores,

quero também expressar aqui minha opinião sobre o espetáculo teatral Pigmalião, estágio de atuação de Fernanda Majorkzyk.

Eu tive a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento deste trabalho ao longo de sua construção.

Acho que vale a pena destacar, de início, a falta de apoio (ou poderia dizer, de coragem) dos docentes de teatro da UFRGS que não quizeram apoiar este espetáculo desde o início. É vergonhoso em uma Universidade Federal contar com pessoas de tal forma aversas a desafios.

Tenho observado por meio de uma ótica mais administrativa que é muito difícil estruturar teatro de grupo e espetáculos neste formato sem fontes de financiamento ou patrocínio.
Neste sentido, a Cia Gato & Sapato mostrou maturidade e jogo de cintura, pois conseguiram montar o Pigmalião mantendo o elenco (que não era pequeno) unido e motivado, o que conferiu ao espetáculo mais qualidade no sentido técnico, pois houve bastante engajamento dos atores nos ensaios.
É fato que conceber um espetáculo teatral não é tarefa fácil. Mas com o esforço da direção do espetáculo e de cada integrante do elenco, pessoas que literalmente doaram seu trabalho e suas habilidades, foi possível realizar o espetáculo Pigmalião no teatro gaúcho.

Pessoalmente, fiquei muito feliz com o que vi e senti nas duas apresentações que pude assistir.

Os atores deram vida aos personagens com muita profundidade e sinceridade, com destaque para a atriz Fernanda Majorczyk que interpretou o personagem de Eliza Garapa de maneira única e estimulante e Douglas Carvalho, que com muita intensidade personificou o Sr Higgins.

Quero parabenizar a Cia Gato & Sapato, este grupo corajoso e talentoso que encarou o desafio de montar Pigmalião.

Também parabenizo o diretor Leandro Ribeiro, que acreditou na possibilidade de realização do espetáculo desde o início e com sua habilidade em direção e gestão grupal, manteve o grupo inteiro em motivado até o fim da turnê.


Que a realização desta turnê do Pigmalião sirva como prova para todos aqueles que duvidaram e não acreditaram na sua realização, de que é possivel fazer teatro universitário gaúcho com qualidade e profundidade, não somente para aqueles que são "do ramo", mas para a sociedade em geral que anseia por cultura boa e construtiva.

Paulo Mitt
Assessor Administrativo Cultural

  ©Template Blogger Green by Dicas Blogger.

TOPO